Verão: um desafio anual para as urgências — e como a tecnologia pode ajudar
No cenário português, o verão traz muito mais do que temperaturas elevadas e dias mais longos. Para os serviços de saúde, esta estação do ano é também sinónimo de um aumento significativo nos desafios operacionais e logísticos, especialmente nas urgências hospitalares. Com uma grande parte dos profissionais a gozar férias nesta altura, manter as escalas médicas completas torna-se um verdadeiro desafio.
Tendo em conta a experiência do passado, as especialidades de Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia continuam a ser mais afetadas com o fecho das urgências. Em termos geográficos, o maior impacto costuma ser sentido na região da Grande Lisboa, com vários serviços encerrados.
No final do verão de 2024, o Governo considerou limitar as férias de médicos para gerir o problema durante o inverno, depois de um verão difícil. Já em 2025, entre janeiro e março, houve menos urgências fechadas. Segundo dados oficiais, o número de dias completos em que os serviços de urgência dos hospitais do SNS estiveram encerrados no primeiro trimestre de 2025 é de cerca de metade dos encerramentos registados no mesmo período de 2024.
O fecho das urgências é um fenómeno cíclico, que continua a acontecer em momentos críticos — como verão, Natal e Páscoa. Urgências encerradas, tempos de espera prolongados, desgaste das equipas e aumento da insatisfação dos utentes são sintomas de um problema sistémico que exige soluções estruturais — e também tecnológicas.
Escalas incompletas, serviços sobrecarregados
A escassez de recursos humanos no SNS, principalmente pela dificuldade em fixar profissionais de saúde, não é uma novidade. Um dos exemplos é, por exemplo, a falta de médicos de família na região de Lisboa e Vale do Tejo. No verão, este problema acentua-se.
As férias são um direito fundamental e uma necessidade para a saúde mental e física dos profissionais, mas a dificuldade está em assegurar a continuidade dos serviços sem comprometer a qualidade ou a segurança dos cuidados prestados.
Em muitas regiões, especialmente fora dos grandes centros urbanos, é difícil atrair e fixar médicos. Muitas vezes, o sistema tem de recorrer aos médicos tarefeiros para assegurar a prestação de cuidados. As urgências, por serem portas de entrada críticas no sistema, tornam-se o epicentro desta dificuldade: são as primeiras a sentir o impacto das escalas incompletas e as últimas a poder parar.
A consequência é uma pressão acrescida sobre os profissionais que ficam e uma degradação na experiência dos utentes, que enfrentam longos tempos de espera ou deslocações inesperadas para outros serviços.
Cuidados primários: primeira linha de resposta, mesmo no verão
Apesar de ser nas urgências hospitalares que os problemas se tornam mais visíveis, a tensão começa bem antes, nos cuidados de saúde primários. Telefones que não param de tocar, chamadas perdidas, emails por responder, utentes que não conseguem marcações atempadas — tudo isto contribui para o congestionamento do sistema.
É aqui que entra a importância de uma boa gestão de contacto com os utentes. Com um sistema de chamadas eficiente, é possível educar as pessoas para que os cuidados de saúde primários sejam o primeiro ponto de contacto com o doente.
Uma marcação eficaz de consulta, aquando dos primeiros sintomas, pode significar a diferença entre um utente resolvido em primeira linha ou mais uma ida desnecessária às urgências. Sem resposta por parte dos centros de saúde, os doentes partem para as urgências — onde sabem que serão atendidos.
A tecnologia como aliada: o caso da Aurora teleQ
Neste contexto, soluções tecnológicas como a Aurora teleQ assumem um papel central. A plataforma permite uma gestão mais eficiente do fluxo de chamadas e contactos entre os utentes e as unidades de saúde. Com funcionalidades como o agendamento automático de chamadas, retorno organizado e encaminhamento inteligente, a Aurora teleQ reduz significativamente a pressão sobre as linhas telefónicas e permite que os profissionais se concentrem no essencial: cuidar.
Durante o verão, esta eficiência é particularmente valiosa. Ao melhorar a acessibilidade telefónica e a dar um seguimento adequado dos pedidos, a Aurora teleQ ajuda a evitar deslocações desnecessárias às urgências. Um simples contacto telefónico eficaz pode resolver muitas dúvidas, orientar corretamente os utentes e reduzir a sobrecarga de serviços já saturados.
É importante perceber que não se pode resolver um problema estrutural apenas com medidas de contingência. O verão exige, sim, um planeamento antecipado, um reforço das equipas, parcerias estratégicas e flexibilidade nas escalas. Mas exige também uma aposta séria em inovação.
Investir em soluções que potenciam uma melhor gestão da comunicação entre profissionais e utentes é investir em acessibilidade, em segurança e em qualidade dos cuidados. Num SNS cada vez mais pressionado, cada oportunidade de melhorar processos, reduzir ruído e aumentar a eficiência deve ser aproveitada.
A dificuldade em manter urgências abertas no verão não desaparecerá de um ano para o outro. Mas com as ferramentas certas, é possível mitigar os seus efeitos e garantir que os cuidados continuam acessíveis, mesmo em períodos críticos.
A tecnologia, quando bem implementada, não substitui o toque humano — mas pode amplificá-lo. Soluções como a Aurora teleQ são exemplos claros de como a inovação pode fazer a diferença na prática clínica quotidiana, mesmo nas semanas mais exigentes do ano.
Com um sistema mais ágil, mais coordenado e mais centrado nas necessidades reais das pessoas, é possível encarar o verão não como uma ameaça à capacidade de resposta do SNS, mas como uma oportunidade de testar — e confirmar — soluções que vieram para ficar.