Saúde mental em foco e o caso dos adolescentes: a importância da melhoria da comunicação nos serviços de saúde
A saúde mental passou a ocupar um lugar de destaque nas prioridades sociais, políticas e institucionais em Portugal. A crescente consciencialização sobre o impacto das doenças mentais na qualidade de vida, produtividade e bem-estar das populações tem levado à mobilização de recursos e à criação de políticas públicas para uma resposta mais eficaz e humanizada. No entanto, apesar dos avanços registados, persistem desafios significativos, nomeadamente no acesso aos cuidados e na fluidez da comunicação entre utentes e unidades de saúde.
Segundo os dados mais recentes, noticiados no ano passado, Portugal destaca-se como o 5.º país da União Europeia onde a prevalência destas doenças é maior, com 12% de diagnosticados com depressão crónica (contra 7,2% na UE). Atualmente, cerca de um em cada cinco portugueses tem uma doença mental.
Mas também há consequências económicas. Segundo o Diário de Notícias, que cita o estudo da The Geneve Association, a má saúde mental custará ao mundo cerca de 6 triliões de dólares em perda de produtividade em 2030. De acordo com a mesma instituição, neste momento, já são pagos 15 mil milhões de dólares anuais em indemnizações de seguros de invalidez relacionados com a saúde mental.
Num contexto em que o tempo de resposta e a acessibilidade são elementos críticos, a eficiência da comunicação torna-se não apenas um canal, mas um verdadeiro instrumento terapêutico. A forma como os serviços de saúde dão resposta aos pedidos de contacto dos utentes influencia também os resultados em saúde mental.
Barreiras que persistem
Ainda hoje, muitos utentes enfrentam dificuldades ao tentar contactar os serviços de saúde para agendar uma consulta, esclarecer uma dúvida ou simplesmente obter informações sobre o seu tratamento. Nos cuidados de saúde mental, estas barreiras tornam-se especialmente problemáticas.
Por exemplo, as pessoas com quadros de ansiedade, depressão ou perturbações do comportamento podem sentir-se desmotivadas, desconfortáveis ou até incapazes de enfrentar obstáculos administrativos, filas de espera prolongadas ou interações impessoais.
Além disso, o estigma ainda presente em torno das doenças mentais leva muitos utentes a procurar formas de contacto mais discretas e menos expostas. A ausência de canais de comunicação empáticos e acessíveis pode, assim, traduzir-se em silêncio, isolamento e agravamento dos sintomas. Quando só resta recorrer presencialmente aos centros de saúde ou urgências hospitalares, muitos podem encontrar alguma resistência em procurar ajuda.
A tecnologia como aliada
Atualmente, existem soluções tecnológicas, como a Aurora teleQ, que podem ter um papel fundamental na forma como as unidades de saúde comunicam com os seus doentes. Ao permitir uma gestão mais eficiente dos contactos entre utentes e serviços de saúde, a Aurora teleQ contribui para uma comunicação mais rápida, fluida e centrada na pessoa.
A plataforma oferece funcionalidades como o agendamento automático de chamadas e módulos de chat, permitindo aos secretários clínicos responderem com maior agilidade às necessidades dos utentes.
Uma das soluções com maior expressão, e que já está em uso em vários países europeus, são os módulos de chat. Nos departamentos de psiquiatria — especialmente naqueles dedicados à adolescência — os módulos de chat da Aurora teleQ têm-se revelado particularmente úteis. Porque é que isto acontece?
Muitos adolescentes sentem maior conforto ao comunicar por escrito do que por telefone, e este canal permite-lhes expressar preocupações e sintomas com maior liberdade, sem o constrangimento de uma conversa verbal imediata. Esta abordagem é mais adequada ao perfil digital das gerações mais jovens e contribui para uma maior adesão aos planos terapêuticos, por exemplo.
Ao facilitar este contacto com os serviços de saúde, a Aurora teleQ promove uma comunicação mais empática, em que o utente sente que foi ouvido, respeitado e compreendido. Esta humanização do contacto não se limita ao momento da marcação de consulta: ela estende-se ao modo como o utente é integrado no sistema, acompanhado ao longo do processo terapêutico e incentivado a manter o vínculo com os serviços de saúde.
Mas as vantagens não terminam aqui: quando um utente entra em contacto com o centro de saúde, esta solução permite-lhe saber, com exatidão, a hora a que os secretários clínicos irão devolver a chamada. Esta previsibilidade transmite uma sensação de segurança, ajudando a reduzir a ansiedade, uma vez que o utente sabe que será contactado dentro de um período de tempo bem definido.
Para os profissionais, a redução da carga administrativa e da pressão associada a chamadas não atendidas permite uma gestão mais racional do tempo e dos recursos, contribuindo para um ambiente de trabalho mais equilibrado. A saúde mental dos utentes é a prioridade, mas esta solução contribui também para uma diminuição do stress dos secretários clínicos.
Casos concretos e impacto no terreno
A presença da Aurora teleQ em diversos departamentos de psiquiatria tem permitido observar ganhos reais em termos de tempo de resposta, satisfação dos utentes e eficiência organizacional. A flexibilidade da solução adapta-se aos diferentes contextos e pessoas.
Além disso, a análise de dados gerados pela plataforma permite às administrações hospitalares identificar padrões de procura, ajustar recursos e tomar decisões estratégicas mais informadas. Esta inteligência operacional é crucial para garantir que os cuidados em saúde mental acompanham a evolução das necessidades da população.
A transformação digital dos serviços de saúde não pode deixar a saúde mental para segundo plano. Pelo contrário, deve colocá-la no centro da inovação, integrando soluções que respeitam a vulnerabilidade dos utentes e promovem uma comunicação eficaz e humanizada. A Aurora teleQ tem sido parceira ativa nesta missão, com uma visão clara: tornar os serviços de saúde mais acessíveis, eficientes e humanos, onde a escuta ativa começa logo no primeiro contacto.
Se quisermos dar uma resposta verdadeiramente eficaz aos desafios da saúde mental em Portugal, temos de começar pela base — melhorar a forma como comunicamos. Porque ouvir bem é, muitas vezes, o primeiro passo para cuidar melhor.